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Blog sobre a biblioteconomia, bibliotecário, biblioteca, informação, mensagem, usuário, TICs. O nome do blog foi "surrupiado" de um roteiro (para teatro ou cinema) escrito por Paulo de Castro, o maior bibliotecário da terra. E viva Kalímeros!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Por que as boas idéias sobre bibliotecas não são executadas por bibliotecários?

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Em 2010 acompanhei o bibliotecário Antonio Briquet de Lemos em um evento na UFMG. Foi bacana porque pudemos conversar bastante tempo. Falamos sobre eleição, Brasília, sobre a importância dele para a história do rock brasileiro dos anos 80 (http://www.youtube.com/watch?v=PEcvjN7s260) e, é claro, Biblioteconomia. E ele disse uma coisa que não esqueço: que essas notícias sobre leigos fundando bibliotecas o incomodavam. Para ele, são os bibliotecários que devem assumir esse papel.

Adiante listei algumas notícias sobre projetos de criação bibliotecas e incentivo à leitura que - baseado nas reportagens - não tiveram a participação de bibliotecários em sua idealização. Para esclarecer: nem tudo o que é nomeado como "biblioteca" nas reportagens, realmente é uma biblioteca. Segundo o bibliotecário e professor Gustavo Saldanha 

o termo “biblioteca” é objeto da epistemologia biblioteconômica desde o século XIX. Logo, é um conceito que se não é, se quer, ao menos, científico. Este conceito ou quase-conceito comporta, por exemplo: serviço de referência, estudo de uso e usuários, desenvolvimento de coleções, administração, representação temática, descritiva e classificação, preservação, etc...

Dito isso, vamos à lista:
  • Acervos em pontos de ônibus e açougue-biblioteca em Brasília: o projeto "Parada Cultural", que cria mini-acervos em pontos de ônibus em um açougue foi idealizado por um empresário.



  • Biblioteca Comunitária da Vila Torres (em Curitiba): a biblioteca foi idealizada e montada pelos próprios moradores. Segundo a reportagem, o acervo foi catalogado por uma bibliotecária, que também elaborou uma política de desenvolvimento de coleções.


  • A Borrachalioteca em Sabará (MG): o projeto foi idealizado por um estudante e instalado em uma borracharia, mas foi expandido, segundo a reportagem do hoje em dia.




  • A bicicloteca em São Paulo: a reportagem não informa a formação e a profissão do idealizador do projeto, Robson Mendonça. Mas diz que a ideia de criar uma espécie de caixa-estante (uma bicicleta-estante) nasceu porque ele não podia fazer empréstimos em bibliotecas quando morava nas ruas e não tinha comprovante de endereço (reflitamos, por favor).


E como esses, há outros projetos - de bibliotecas comunitárias, de espaços de leitura, de caixas estantes - que não são idealizados por bibliotecários. Creio que existam outros tantos que são.

Ideias bacanas há muitas por aí. Há dois anos encontrei um livro na sala de espera de um aeroporto e pensei que alguém havia perdido. Ao folhea-lo vi uma etiqueta na capa: "não estou perdido, estou viajando..." O propósito era esse: depois de ler o livro o leitor o "abandonava" na sala de espera de qualquer aeroporto. Não anotei, mas havia uma maneira de verificar o caminho do livro. O leitor podia se cadastrar em um site e, utilizando um número de registro, dizer onde encontrou e onde "abandonou" o livro. Parecia uma ação de marketing de uma editora, ou uma iniciativa de um grupo religioso (o livro era editado por uma 'editora evangélica'). Mas me pareceu uma boa idéia, que inclusive poderia ser transportada para outros espaços.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O futuro da biblioteca passa pela biblioteca infantil (e pela escolar também)

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No futuro as pessoas não vão mais sair de casa para ir a bibliotecas ou livrarias. Através dos cada vez mais sofisticados computadores e gadgets, o leitor acessará tudo o que necessita com um simples clique, toque de tela ou comando de voz (ou ondas cerebrais). Para muitos, esse futuro já chegou. As bibliotecas, até pouco tempo atrás baseadas no impresso, enfrentam um cenário de mudanças profundas com a popularização dos suportes informacionais em meio eletrônico. Se antes era o leitor quem ia à biblioteca, agora é a biblioteca que vai ao leitor. Mas nem todas as bibliotecas passarão por essas transformações radicais. As bibliotecas infantis e as escolares manterão muito do que são atualmente, mesmo que mudem.

Uma das razões é porque criança gosta de ler, não importa se pedra, casca de árvore, areia, papel ou e-reader; e também gosta de ir à biblioteca. Criança não tem preguiça; tem é tédio de fazer coisas maçantes. E leitura, definitivamente, não é uma coisa maçante. As crianças encaram a leitura como a descoberta de novos universos; elas têm orgulho de mostrar que sabem ler. Entre 2004 e 2006 trabalhei em uma biblioteca escolar. Lá os pequenos corriam para a biblioteca na hora do recreio e ficavam balbuciando as palavras, com aquela reticência típica de quem estava aprendendo a reconhecer as letras. E quem sabia mais, lia para os outros. A glória era mostrar para um adulto que sabiam ler. Liam em voz alta, para chamar a atenção. Os adolescentes não gostavam tanto de ir à biblioteca, pois muitas vezes a leitura virava uma obrigação. Mas os pequenos, se pudessem, passariam o tempo todo lá.

Outra razão é porque essas bibliotecas incorporam ao seu cotidiano serviços que atraem os (pequenos) usuários ao seu espaço: contação de histórias, teatro, saraus, oficinas de arte, palestras, exposições, bate-papo com escritores.De todos os tipos de biblioteca, a infantil e a escolar são as que melhor se orientam pelos seus usuários. Moldam-se à sua imagem e semelhança. Voltam-se para a leitura por prazer (mais a infantil que a escolar, que em seu - apoiar o projeto pedagógico da escola - ainda desvela uma obrigação). O universo infantil é lúdico e as bibliotecas entranham-se nesse espírito. Criança é criança em qualquer lugar, em qualquer tempo.

As bibliotecas vão acabar? Não sei. Só sei que estão mudando para se adequar a uma nova realidade; maior "presença" no mundo virtual é uma dessas mudanças. As bibliotecas infantis e escolares, por outro lado, são mais atraentes fisicamente que virtualmente. Porque ir à biblioteca, para os pequenos, é como aquelas brincadeiras que não saem de moda.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Projeto de Lei 1570/2007 da Câmara dos Deputados

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Quem trabalha em instituições culturais sabe como é escassa a verba estatal para essas atividades. Normalmente, as secretarias de cultura dos Estados e Municípios são as que têm o menor orçamento. Considerando as exceções, propiciadas pela vontade e esforço dos gestores à frente dessas instituições, as bibliotecas sofrem com essa falta de verba. Assim, mesmo em cidades de porte, há poucas bibliotecas públicas. Nas capitais há, normalmente, uma estadual e uma municipal; nas cidades do interior, há apenas a municipal.

O Projeto de Lei do Senado 27/2005 (http://goo.gl/4LdOP) permite “incluir a dedução de doações de livros a bibliotecas públicas no cálculo do imposto de renda devido por pessoas físicas”. Tramitou por dois anos na casa, passando pela Comissão de Educação e pela Comissão de Assuntos Econômicos, recebendo parecer favorável em ambas. Em 2007 o projeto foi enviado à Câmara dos Deputados, transformando-se no PL 1570/2007 (http://goo.gl/HTsm0); no mesmo ano recebeu parecer favorável da Comissão de Educação e Cultura e foi remetido à Comissão de Tributação e Finanças. O Deputado André Vargas (PT/PR) foi então designado relator e deu parecer favorável (aprovação do projeto com emendas) em 2009. Desde então o projeto pouco andou e em 2013 foi devolvido à comissão sem manifestação. Um novo relator foi designado, o Deputado Pedro Eugênio (PT/PE) (http://goo.gl/G5UUD).
A Lei 9250/1995 (http://goo.gl/NNhXe), que “altera a legislação do imposto de renda das pessoas físicas”, diz, no art. 12, inciso II, que são dedutíveis no imposto devido “as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC”. O PL 1570/2007 altera esse artigo da lei, para permitir que sejam dedutíveis “as doações de livros adquiridos pelo contribuinte, feitas a bibliotecas públicas, até a data limite de entrega da declaração de ajuste”.
Atualmente, para captar recursos junto às pessoas físicas através de renúncia fiscal, os gestores de bibliotecas devem apresentar projetos ao PRONAC, de acordo com a Lei 8313/1991(http://goo.gl/gCXJZ) – ver especialmente o art. 3º, inciso II, alínea a dessa lei. As grandes bibliotecas fazem isso, porque contam com estrutura, serviços e pessoal, além do suporte do órgão mantenedor. Mas raramente acontece nas pequenas bibliotecas. A alteração da lei 9250/2007 facilitará o desenvolvimento de acervo, calcanhar de Aquiles de tantas instituições. O contribuinte poderá deduzir do imposto devido (até 6%) os gastos com livros doados. A comprovação será feita mediante apresentação a nota fiscal de compra e de um recibo fornecido pela biblioteca que receber a doação.
Sei que pode parecer utopia, mas a aprovação desse projeto de lei seria um “bom negócio” para os bibliotecários. Possibilitaria o desenvolvimento de acervo nas pequenas bibliotecas, muitas delas à mercê da vontade de gestores públicos que não as veem como prioridade. Seria uma forma de resolver, pelo menos parcialmente, a eterna falta de verba para a cultura.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Livro, leitura, meio digital

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Abri o livro impresso "Diários de bicicleta", de David Byrne, e li dez páginas. Acessei no tablet o arquivo do livro digital (extensão epub) "Diários de bicicleta", de David Byrne, e li as mesmas dez páginas. Sentei em frente ao computador, abri o arquivo do livro digital (extensão pdf) "Diários de bicicleta", de David Byrne, e li novamente as mesmas dez páginas. O conteúdo era o mesmo, ainda que um ou outro detalhe tenha me escapado em cada uma das leituras. Eu poderia ainda abrir o arquivo do audiolivro (extensão mp3) "Diários de bicicleta", de David Byrne, e ouvir as mesmas "dez páginas". Mas não o fiz. Seria um tipo diferente de leitura, mas ainda assim seria uma leitura.

O que é mais importante: o livro ou a leitura? O suporte ou seu conteúdo? O objeto - que pode ser enfeite, ferramenta e até arma - ou a mensagem nele contida? E aqui cabe outra pergunta: qual o objeto de trabalho do bibliotecário? O livro ou a mensagem? A informação dirão todos. A mensagem, eu digo. Pois há diferença entre informação e mensagem. Vou recorrer a Capurro: mensagem é oferta de sentido e informação é seleção de sentido. Então informação está do outro lado, no domínio do usuário. Mas esse não é o tema aqui. O tema principal é o livro e a leitura. Afinal, livros existem para serem lidos!

O livro é um objeto fascinante. Por isso sua circulação é controlada em regimes totalitários. Mas na verdade o objeto é censurado por causa da mensagem que ele carrega. Nos milênios que nos separam das invenção da escrita, o livro foi utilizado como ferramenta de poder e controle. Porque por muito tempo a escrita e a leitura fizeram parte do mundo dos que estavam no poder. Mas o livro é tão perigoso assim para os poderes constituidos? Como já dissemos o livro não é perigoso, mas a mensagem que ele carrega sim; e a leitura que se faz dele também. Estamos vendo o poder da leitura nas recentes tentativas de controle que a internet, especialmente as redes sociais, vem sofrendo, mesmo em países democráticos. A informação nasce da leitura e a sociedade informada ganha mais poder para questionar seus governos e isso, mesmo nas sociedades democráticas ocidentais, não é bem visto pelos que detêm o poder.

Ah, mas não é esse o meu tema também. Eu quero mesmo  falar é da morte do livro, a morte que não aconteceu. Foi alardeada com o surgimento do eletrônico. O papel estava fadado a acabar. E com ele seus produtos derivados. Acredito que desde os primórdios da da evolução humana os avanços tecnológicos são vistos com desconfiança. Assim foi com a tecnologia dos livros. Do papel para o digital, o que mudou? A experiência sensorial da leitura, com certeza, mas o que mais?

O livro não morreu, porque não há razão para sua morte. E se morrer, que mal tem, se o que importa de fato é a leitura.


Os e-books. Há uma tendência em tentar comparar o livro impresso com o e-book, buscando caracterizá-los como objetos antagônicos. É comum ler por aí que o e-book decretou a morte do livro em papel. Também é comum ouvir que o livro impresso é eterno, que o e-book jamais ocupará seu lugar, por causa das “dificuldades” da leitura em tela. Há ainda quem acredite que os dois formatos coexistirão, justificando isso com uma comparação mais antiga. Segundo contam, quando a televisão surgiu muitos disseram que a morte do rádio estava decretada. Até concordo que no horizonte que nossa visão alcança e-books e impressos coexistirão. Mas não podemos tomar como parâmetro o exemplo da televisão e do rádio.

Esses veículos, embora sejam meios de comunicação, têm características diferentes: a base do rádio é o áudio (a fala), a da TV é o vídeo (a imagem). A televisão não extinguiu o rádio, mas lhe tomou parte da programação. O rádio teve que passar por certas mudanças. Inegável é o fato que rádio  e TV são lidos de forma diferente, enquanto o livro digital e o impresso são o mesmo objeto em formatos diferentes: sua base é o texto escrito. 

Uma comparação mais pertinente para exemplificar a relação impresso/eletrônico é a dos formatos de música. Porque o conteúdo é o mesmo, mas os formatos mudaram. O vinil reinou absoluto até os anos 1980, quando os CDs o superaram. O reinado dos CDs durou pouco, pois o surgimento do arquivo de música em formatos para computadores, tirou-lhe a supremacia. Este, no entanto, é um caso de gosto: há artistas que ainda hoje lançam seus trabalhos em vinil, que segundo eles tem mais qualidade que os formatos que o seguiram. Entretanto, como formato menos popular, e como depende de um dispositivo específico para leitura, o vinil tem sua vida relacionada à produção de aparelhos que o lêem.

No caso dos livros, assim como foi com a música, a facilidade de uso de um formato teve mais influência em sua popularização que a qualidade técnica; o que no caso da música é mais evidente. Ouvir música em vinil é diferente de ouvir música em mp3. Alguns detalhes são percebidos no vinil e se perderam nos outros formatos. Mas a evolução técnica dos novos players e formatos pode resgatar essa qualidade. Nos livros não existe essa diferença de qualidade do conteúdo. A diferença está no suporte, mas o conteúdo é o mesmo nos dois formatos.

Atualmente, o maior empecilho para a popularização dos e-books (falando do Brasil) está no "iletramento digital", que é tão grande quanto o "iletramento normal". E, é claro, nos modelos de negócios dos e-books, que os tornam menos atraentes que os impressos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O que quero das nossas bibliotecas?

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Quais serviços uma biblioteca deve oferecer a seus usuários/clientes/leitores? Quando trabalhei na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (http://goo.gl/4cT6y) ouvi uma diretora (ou foi a superintendente) dizer, ante uma ideia de criar um acervo de filmes na biblioteca, que aquilo lá não era videolocadora.

Sempre achei que a biblioteca Luiz de Bessa fosse uma maravilha. E ela é! Tem um setor de empréstimo de livros com ótimos títulos; um setor de periódicos com as principais revistas e jornais do país, além de um ótimo espaço de leitura; tem um setor de coleções especiais, com obras raras e um acervo sobre Minas Gerais (Mineiriana); tem um setor de obras em Braille e audiolivros; tem uma hemeroteca histórica; tem um setor infanto-juvenil muito atuante; tem um carro-biblioteca...

Mas a Luiz de Bessa é a única grande biblioteca pública de Belo Horizonte. É estadual. Tem também uma biblioteca municipal, menor que a Luiz de Bessa, que é vizinha dessa. Ambas na zona sul da cidade. Próximas a museus e teatros. No circuito cultural da cidade. Mas longe de regiões que são carentes de instituições culturais.

Entre 2011 e 2012, um amigo passou um tempo em Barcelona visitando a esposa e a filha de oito anos, que estavam morando lá. Ele me trouxe um “folder” de uma biblioteca municipal de lá, a Biblioteca Vila de Gràcia (http://goo.gl/cWjU3). Me falou que levou a filha a essa biblioteca algumas vezes. E que eles emprestavam livros, CD, DVD, jogos de videogame. Uau! Será que ninguém se preocupou com o fato de a biblioteca virar uma videolocadora? Ou um fliperama? Ah! a biblioteca de lá tem todos os serviços que a Luiz de Bessa tem.

A Vila de Gràcia não é a única biblioteca municipal de Barcelona. Não é a única biblioteca municipal do Distrito de Gràcia. Tem mais duas lá: a Biblioteca Jaume Fuster (http://goo.gl/SDhKV) e a Biblioteca Vallcarca i els Penitents - M. Antonieta Cot. (http://goo.gl/m12iz). O Distrito de Gràcia tem cinco bairros e, segundo informações oficiais, cerca de 120 mil habitantes (http://goo.gl/eTfrn). Portanto, uma biblioteca com muitos serviços - e bons acervos - para cada 40 mil habitantes.

Espalhadas por Barcelona existem trinta e quatro bibliotecas municipais (salvo erro de contagem), formando uma rede, como mostra esse mapa (http://goo.gl/F1KYa) e essa página web (http://goo.gl/pHzDa). A cidade tem cerca um milhão e seiscentos mil habitantes, ou seja, tem uma biblioteca para cada 47 mil deles.

Seria um sonho, ou uma utopia, querer um pouquinho dessa realidade aqui no meu país? Moro em Vitória (ES), uma cidade com quase 500 mil habitantes, que tem duas bibliotecas públicas: uma municipal e outra estadual. Ambas são pequenas, e não têm página na web.

E seria muito utópico desejar que nossas bibliotecas oferecessem mais serviços além daqueles tradicionais? Eu gostaria de ter um pouquinho daquilo que têm os moradores de Barcelona: bibliotecas atraentes e eficientes próximas a todos os cidadãos.

Quero uma biblioteca que me empreste jogos de Playstation!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Resposta absurda e incorreta ao recurso interposto em questão de concurso

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No dia 04 de dezembro de 2011 Juliana, minha esposa, e Marcelo, meu cunhado, que também são bibliotecários, fizeram a prova do concurso do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – INCAPER. A prova foi organizada pelo Instituto Nacional de Educação Cetro – INEC. Quando o gabarito foi divulgado percebemos que algumas respostas consideradas corretas não estavam de acordo com a literatura da área. Juliana decidiu apresentar recurso contra o resultado de uma das questões. Outros candidatos, que conhecíamos, entrariam com recurso nas outras questões.
Entramos com recurso em uma questão sobre normalização, assunto que não permite muitas interpretações, leituras diferentes. Adiante reproduzimos a questão, com a resposta considerada correta, o recurso interposto e a resposta da organizadora ao recurso.
Não temos a questão na íntegra, mas colocaremos os dados do enunciado:
"Considerem os dados a seguir:

Título: Como ter nove filhos e sobreviver.
Autores: Marilia Salveiro, Unik Radassa, Samuel Zanoi
Edição: 19. ed.
Local de publicação: Porto Alegre
Editora: Global
Ano: 2000.

Assinale a alternativa correta, de acordo com as normas da ABNT".

A alternativa considerada correta foi essa:
- SALVEIRO, M. ET AL. Como ter nove filhos.19. ed.Porto Alegre:Global,2000.

Assim mesmo, sem destacar o titulo, sem espaços entre a pontuação. Consideramos que não havia alternativa correta. Todas apresentavam erros. Assim redigimos o seguinte recurso apontando as irregularidades.
“De acordo com a Norma da ABNT NBR-6023 (2002) os principais elementos para a descrição bibliográfica de monografias no todo são: autor(es), título, edição, local, editora e data de publicação (Ver item 7.1 e 7.111 da norma). As regras para a entrada de autoria são:
8.1.1 Autor pessoal: Indica(m)-se o(s) autor(es), de modo geral, pelo último sobrenome, em maiúsculas, seguido do(s) prenome(s) e outros sobrenomes, abreviado(s) ou não. Recomenda-se, tanto quanto possível, o mesmo padrão para abreviação de nomes e sobrenomes, usados na mesma lista de referências. Os nomes devem ser separados por ponto-e-vírgula, seguido de espaço.
8.1.1.1 Quando existirem mais de três autores, indica-se apenas o primeiro, acrescentando-se a expressão et al .
As regras para transcrição de títulos são:
8.2 Título e subtítulo: o título e o subtítulo (se for usado) devem ser reproduzidos tal como figuram no documento, separados por dois-pontos.
8.2.1 Em títulos e subtítulos demasiadamente longos, podem-se suprimir as últimas palavras, desde que não seja alterado o sentido. A supressão deve ser indicada por reticências .
Segundo a norma ABNT o título deverá ser destacado em obras com indicação de autoria, conforme item abaixo:
6.5 O recurso tipográfico (negrito, grifo ou itálico) utilizado para destacar o elemento título deve ser uniforme em todas as referências de um mesmo documento. Isto não se aplica às obras sem indicação de autoria, ou de responsabilidade, cujo elemento de entrada é o próprio título, já destacado pelo uso de letras maiúsculas na primeira palavra, com exclusão de artigos (definidos e indefinidos) e palavras monossilábicas .
Com base na NBR 6023 consideramos que a questão não possui resposta correta. Todas as opções de resposta estão incorretas. A opção (E) considerada como correta no gabarito divulgado, apresenta apenas o primeiro autor, sucedido da expressão et al. De acordo com a norma somente se a obra tiver mais de três autores, ela será referenciada dessa forma. Em todas as opções o título, que não é longo, foi abreviado sem a utilização das reticências. Nenhuma das opções está pontuada de acordo com a norma ABNT. Em nenhuma delas o título foi destacado em negrito, grifo ou itálico, conforme recomenda a norma.
Tomando como base a ABNT NBR-6023 (2002) pedimos a anulação da questão, pois não há opção correta dentre as alternativas de resposta.”
Esse foi o recurso interposto. A resposta do Instituto Cetro (organizadora do concurso) está adiante. O que fica subentendido é que não o leram. Ou leram muito mal!
São Paulo, 3 de janeiro de 2012
Candidata: JULIANA LUZIA DUARTE
Cargo/Escolaridade/Campo de Conhecimento/Local de Trabalho: 304 - Bibliotecário
Prezada candidata,
Em resposta ao(s) recurso(s) interposto(s), informamos que, após análise da Banca Examinadora, fica decidido o que segue:
Resposta:
O argumento não procede.
O argumento não procede. Na verdade, são três autores ou mais. Só são apresentados todos os autores quando se trata de um ou, no máximo, dois autores.
Diante do exposto, a Banca Examinadora indefere o recurso interposto, mantendo o gabarito.
Atenciosamente,
Instituto Cetro

Perguntei a alguns bibliotecários, que trabalham com normalização, que estão familiarizados com as Normas da ABNT, se houve alguma mudança nestas normas recentemente. Ou se existe algum outro padrão de normalização em que essa resposta estaria correta, embora o enunciado da questão cite a ABNT. Para mim a banca examinadora era composta por pessoas inexperientes. Ou então houve fraude, favorecimento a algum candidato. Isso seria uma coisa grave. Ainda mais que a resposta aos recursos não foi pública. Prefiro acredito na primeira hipótese, ou seja, na inexperiência da banca examinadora.

sábado, 10 de setembro de 2011

BiblioBurro: uma biblioteca no lombo do burro

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Muito bacana o trabalho de Luis Soriano, professor de uma pequena cidade do interior da Colômbia, que para promover o acesso à leitura leva os livros até a casa das pessoas. É uma biblioteca itinerante, e impressionante, no lombo de um burro. Em 2008 o portal G1 republicou uma reportagem do New York Times sobre a "Biblioburro". O interessante é que esse professor trabalha em uma região assolada pela guerra que isola comunidades inteiras.

A matéria do G1 está aqui.

Abaixo dois vídeos sobre a BiblioBurro.



Tem muito mais vídeos no youtube.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

As tecnologias da informação e o atraso das bibliotecas

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O caderno Divirta-se do Estado de Minas (02/09/2011) traz uma matéria, assinada por Carol Braga, sobre livros eletrônicos, informação em meio digital e o atraso tecnológico da Biblioteca Pública Luiz de Bessa. De forma rápida o digital vem substituindo o papel como suporte de informação, mas essa evolução não é acompanhada pelas bibliotecas públicas. Ainda encontramos obstáculos bem difíceis de transpor. A matéria mostra como a burocracia (necessária), pode ser um entrave para a evolução dos serviços de informação e entretenimento geridos pelo Estado. Acho o tom da matéria ufanista ao considerar que a biblioteca mudará para melhor. Mudanças de cultura costumam acontecer nas trocas de gerações no poder. O problema é que a geração que governa e que elabora políticas públicas está sempre "uma oitava abaixo" da geração que detêm o conhecimento pleno das últimas novidades tecnológicas. Ainda precisamos lidar com as idiossincrasias dos administradores públicos. Vivo isso na biblioteca em que trabalho. A atual administração do órgão editou uma portaria suspendendo a compra de legislação pura (códigos, constituição), pois esse material está disponível na web. Mas, como a administração muda a cada dois anos, o próximo presidente pode revogar essa portaria (e é provável que o faça, pois o próximo nome na lista de sucessão tem a opinião de que esse material impresso é indispensável para o andamento dos trabalhos da instituição).
Adiante analiso alguns trechos do texto. Para ler a matéria completa clique aqui.
“Dentro de muito pouco tempo a configuração desse espaço sagrado dos livros tende a mudar muito e para melhor. "A biblioteca vai ser mais aconchegante. Espaço agradável, para ficar mais à vontade, com tomadas para ligar os dispositivos eletrônicos. Não será mais aquele lugar estéril", aposta o diretor da Faculdade de Ciência da Informação da UFMG (ex-Escola de Biblioteconomia), Ricardo Rodrigues Barbosa”.
Como eu disse considero o texto ufanista. Não acredito que a simples adesão ao digital e às tecnologias melhore o ambiente e os serviços da biblioteca.  E discordo da afirmação do Professor Ricardo Rodrigues de que a biblioteca, na configuração atual, é um lugar estéril. Não é, embora fique aquém de seu potencial. Sempre achei que falta aos professores de áreas técnicas, como a biblioteconomia, vivência prática. Ao considerar as bibliotecas atuais como estéreis, me parece que o professor se baseia em um universo limitado de opções. Não vou fazer mais considerações sobre essa afirmação por desconhecer o contexto da fala do professor. Uma frase fora de contexto pode gerar interpretações equivocadas.
“A velocidade com que a digitalização toma espaço na sociedade é inversamente proporcional à adaptação das bibliotecas brasileiras às novas tecnologias. "Wireless (rede sem fio) a gente não tem. Você acredita? Tem na Praça da Liberdade, mas não tem aqui", comenta Marina Ferraz, coordenadora da hemeroteca histórica da Biblioteca Pública Luiz de Bessa. O motivo? Falta de previsão de recursos. "Temos que fazer o planejamento dois ou três anos antes”, justifica. A principal biblioteca de Minas Gerais oferece apenas 10 computadores para consulta à internet. No acervo de 300 mil livros, nenhum é digital. “Temos planos, conversamos sobre isso, mas sempre esbarramos na questão dos recursos. Precisamos fazer um sistema específico para empréstimos de e-books, por exemplo", planeja Marina.”
A burocracia, o pensamento dos administradores e o delay entre gerações atrapalham a oferta de serviços de qualidade (e modernos) em instituições públicas. A falta de interesse dos governantes pelas áreas que dão pouca visibilidade na época das eleições também atrapalha. Quem se importa com cultura? O investimento infra-estrutura e em serviços como a segurança dão visibilidade ao governante. Investimento em cultura não. As concepções arcaicas dos gestores também contribuem para que os serviços continuem atrasados. Quando trabalhei na Biblioteca Luis de Bessa, de 2006 a 2008, os usuários não tinham “tomadas” disponíveis para ligar seus notebooks. Era proibido fazer isso, pelo menos no setor que eu trabalhava. Alegavam que os usuários não poderiam “gastar” a energia que era paga pelo estado. E nem transformar o espaço da biblioteca em escritório. Os computadores são ferramentas de disseminação da informação, os tablets são suportes e ferramentas de leitura, mas o administrador ainda os classifica como materiais estranhos ao ambiente de leitura. Um dilema que precisamos vencer é esse apego aos velhos serviços de biblioteca. Apenas emprestar e-books é como dirigir uma Ferrari a 20 km/h. As tecnologias permitem que esses serviços sejam turbinados. Mais que emprestar é necessário permitir o acesso a esse material. Acesso remoto e simultâneo. A biblioteca deve ser um imenso portal voltado para leitura facilitando a vida do leitor.
“Apesar de defasada em termos de tecnologia, a Biblioteca Pública já digitalizou 1 milhão de imagens da hemeroteca histórica. O próximo passo, ainda sem data definida, será a integração do banco de dados com a internet. "A pessoa consegue salvar e levar para casa, mas em um futuro vamos conseguir colocar isso na rede", planeja a coordenadora. "Digitalização é uma tendência e uma necessidade", cobra a pesquisadora Aline Lemos. Para fazer seu trabalho em Belo Horizonte, ainda precisa de máscaras e luvas para manejar os jornais históricos, dos quais fotografa as partes de seu interesse. "Facilita muito quando os arquivos estão na internet. Se isso fosse feito aqui, ia ajudar pesquisadores de outros lugares", avalia.”
Este trabalho de digitalização foi feito em parceria com o Arquivo Público Mineiro. O objetivo era preservar o acervo. O diretor do arquivo não queria que os documentos fossem disponibilizados na web, pois isso poderia diminuir o número de usuários no arquivo. As metas de trabalho nas instituições ainda eram voltadas para o usuário freqüentador do seu espaço físico. Os gestores destas instituições não viam o ambiente virtual como uma extensão, ou mesmo como um novo local, de sua atuação. Assim, cinco anos depois, os documentos continuam sendo consultados apenas no local. Mesmo com o universo de possibilidades que a internet oferece.
No Brasil a oferta de serviços de qualidade é quase um pecado. As empresas se esforçam para atender mal aos clientes e o Estado se esquiva de obrigações básicas. Facilitar o acesso aos bens culturais é uma delas. Enquanto nos Estados Unidos, Japão, Coréia, Europa a tecnologia está ao alcance de todos, a preços módicos, aqui o governo ensaia medidas que reduzirão o preço de equipamentos e serviços à estratosfera (atualmente estão na termosfera). Sem falar que a tão propalada inclusão digital é uma falácia. Como explicar a proposta do governo federal de oferecer banda larga universal com a incrível velocidade de 300 kbps custando, e isso é mais incrível, R$ 35,00. Nem como piada isso funciona, pois me parece mais uma tragédia. Sem políticas eficientes do governo, sem a diminuição da ganância de nossos empresários não há possibilidade da biblioteca pública entrar na era digital com alcance universal.

domingo, 21 de agosto de 2011

Por que boas idéias sobre bibliotecas, na maioria das vezes, não são de bibliotecários

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Uma bibliotecária, que foi ao CBBD 2011, me disse que as palestras e apresentações sobre web 2.0, blogs e redes sociais foram muito procuradas no evento. É interessante ver o movimento dos bibliotecários em direção ao uso efetivo das modernas tecnologias da informação no trabalho cotidiano. Essas ferramentas possibilitam a ocupação, pelos bibliotecários, de um amplo campo de trabalho, além de incrementar antigas práticas.

Por outro lado, vejo com tristeza que um espaço amplo, de forte contraste com o cenário acima descrito, foi deixado de lado. Por que abraçar as tecnologias da informação de forma irrestrita e esquecer que há um universo infinito de possibilidades à margem destas inovações? E este espaço é ocupado por pessoas que têm vontade, disposição e talento para atender às comunidades mais distantes dos ambientes institucionais. Porque este é um dos equívocos dos cursos de biblioteconomia atualmente: considerar que informação, necessidades de informação, usuários de informação só existem em contextos institucionalizados.

Então temos que nos render à criatividade de quem, sem passar pela academia, compreendeu claramente que a leitura é uma forma de combate à exclusão e que as bibliotecas são os elos mais fortes entre leitor e livro. Justo as bibliotecas, tão renegadas pelos bibliotecários, que falam com orgulho que trabalham com informação. Sempre achei pretensioso demais este discurso: "trabalho com a informação em qualquer suporte". Isso é verdade, mas esconde uma deficiência de nossa formação: não somos capacitados para trabalhar com a base da biblioteconomia que é a biblioteca. E dois tipos de biblioteca são os mais rejeitados em nossa profissão: a escolar e a comunitária. A primeira por negligência do poder público; a segunda por puro preconceito. E é nesse segundo segmento que surgem idéias maravilhosas, fruto do trabalho de pessoas que passaram longe da formação acadêmica em biblioteconomia (ou de qualquer outra). São pessoas como Otávio Junior, o "Livreiro do alemão", que aprendeu sozinho a importância da leitura e quis compartilhar com o mundo, especialmente seu mundo do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Otávio foi tema de matéria na revista Língua Portuguesa (no. 70, agosto de 2011, p.50-51). A matéria abaixo, publicada pela Folha de São Paulo, no Caderno Cotidiano, é inspiradora. E Otávio se vale das TICs para divulgar seu trabalho (no blog Ler é 10 - Leia Favela).

31/07/2011 - 15h57

Livreiro do Alemão cria "barracoteca" na favela


EMILIO SANT'ANNA
DE SÃO PAULO

Enquanto traficantes do Comando Vermelho em fuga trocavam tiros com a polícia e soldados do Exército durante a ocupação dos complexos da Penha e do Alemão, em novembro de 2010, Otávio Júnior, 27, escrevia.

Sem poder sair de casa, finalizava "O Livreiro do Alemão" --seu ingresso no mundo dos escritores-- e preparava-se para instalar a primeira biblioteca do conjunto de 13 favelas na zona norte do Rio com quase 400 mil pessoas.

"Quando os confrontos eram muito acirrados, eu produzia muito. Escrevia enquanto as balas "comiam" para cima e pra baixo."

Biblioteca? Na verdade, trata-se da "Barracoteca Hans Christian Andersen" - corrige Otávio. O nome é uma homenagem ao escritor dinamarquês autor de contos como "A Pequena Sereia" e "A Roupa Nova do Rei".

O local --um antigo salão de forró-- no morro do Caracol, Complexo da Penha, funciona desde maio e será inaugurado oficialmente em 22 de agosto, dia do Folclore.

Parte dos livros é doação do Ministério da Cultura, o resto foi amealhado por Otávio durante os dez anos em que andou por todo o Complexo da Penha e do Alemão, com uma mala na mão, oferecendo livros emprestados aos moradores.

O investimento foi de R$ 7.000. Como não tinha nem a décima parte desse valor, a solução foi apelar a conhecidos e desconhecidos. "Passei o chapéu, mas passei o chapéu virtual", diz.

No blog Ler é 10 - Leia Favela (leredezleiafavela.blogspot.com), o jovem anunciou a barracoteca. Em três meses reuniu a quantia necessária.

Filho de pedreiro, chamou o pai para reformar o local.

Otávio narra em "O Livreiro do Alemão" (Panda Books) como seu amor à literatura se deu quase por acaso. Aos oito anos, saía de casa todo dia para ver as peladas no campo de terra da comunidade.

"Naquele dia, passei em frente a um lixão e havia uma caixa com brinquedos velhos e um livro", conta. "À tarde faltou luz e como não podíamos assistir a televisão preto e branco, lembrei do livro."

IMPACTO

O "impacto da literatura" mudou a vida do menino. A paixão cresceu a ponto de, no ensino médio, desenvolver um hábito: matar aula, tomar um ônibus, andar 20 km e ir para a biblioteca do Museu da República, no centro."Chegava a ler dez livros por dia."

Era então um tempo difícil. A família enfrentava o alcoolismo do pai de Otávio.

"Minha mãe ficou louca quando descobriu. Porém, sabia que eu matava aula mas estava bem acompanhado."

 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Produção de conteúdo para e-books

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Matéria veiculada no programa "Pequenas empresas, grandes negócios" exibido pela Rede Globo no dia 14 de agosto de 2011.

Para ver matéria com vídeo no Portal da Globo clique aqui. 

Pequenas empresas investem na produção de conteúdo para e-books.

No Brasil, a expansão dos tablets impulsiona o novo mercado. Empresários investem em softwares para criar conteúdo de livros.


Do PEGN TV


Os livros digitais ou e-books lideram, pela primeira vez, o mercado editorial nos Estados Unidos. No Brasil, a expansão dos tablets impulsiona o novo mercado. Com a novidade eletrônica, pequenas empresas já investem na produção dos conteúdos para e-books.

O novo mundo do livro ganhou interatividade digital, com imagens animadas e sons. Em um pequeno computador com teclado virtual, conhecido como tablet, é possível ler não apenas um, mas uma infinidade de livros.

As páginas mudam como se fossem na versão em papel. As facilidades também podem ser encontradas no celular e nos leitores eletrônicos, os chamados e-readers.
Com tanta tecnologia à disposição, o livro digital se tornou uma opção prática nos dias de hoje e aos poucos começa a ocupar espaço no mercado ainda dominado pelas publicações impressas.

O número de títulos disponíveis na versão digital aqui no Brasil ainda é considerado baixo pelo mercado editorial. Mas o cenário está mudando.

A base instalada no Brasil hoje de tablet já passou da casa dos 100 mil, então hoje você tem um público que pode consumir livros digitais no nosso país. As publicações infantis ganham destaque nesse universo. As crianças adoram a interatividade.

Para criar o conteúdo interativo dos livros, uma empresa de tecnologia da informação se especializou na produção de um software. Com investimento de R$ 30 mil em equipamentos, os empresários Cristiano Sanches e Wladimir Braguini começaram o negócio em 2008. Hoje, eles têm 15 clientes. O faturamento fica entre R$ 50 mil e R$ 60 mil por mês.

“É um trabalho que nós fazemos para a criação de um livro interativo, muitas vezes envolve um trabalho um pouco artesanal (...). É muito parecido com um desenvolvimento de um jogo, onde você tem que pensar em cada cena, em cada montagem”, afirma o empresário Wladimir Braguini.

A empresa investiu em um clássico de Monteiro Lobato, o leitor pode participar da história de Narizinho. Com o dedo, ele conduz o vagalume para iluminar o caminho da menina e seus amigos. As animações nos livros são feitas por uma equipe de programadores e designers.

“A gente tem que se passar por uma criança na hora de desenvolver, na hora de pensar na interação, na hora de realizar o design”, diz Nadia Faustino, designer.

É justamente na geração do futuro que está a maior aposta do livro digital. “O mercado infantil é que o que a gente chama de nativos digitais, né? Eles pegam o Ipad, o Iphone e eles saem clicando e querendo saber o que aquilo faz, o que aquilo toca. Diferente do adulto, que fica um pouco olhando sem saber o que fazer. Então os livros digitais e as aplicações para criança têm um apelo muito forte”, sugere Sanches.

A execução do projeto de um livro digital pode durar cerca de 6 meses e chega a custar até R$ 30 mil.

Uma editora de São Paulo contratou a empresa para lançar o primeiro livro na versão digital. Um título infanto-juvenil repleto de animações e sons. Uma experiência para acompanhar o mercado em expansão.

“Os tablets estão chamando atenção de um público muito amplo. Eu não vejo só a criança acessando esse livro ou lendo esse livro. Eu acho que os adultos que têm acesso aos tablets vão se interessar nos que estão sendo produzidos”, diz Isabel Lopes Coelho, editora de livros.

O professor Rodrigo Barbosa está entre os leitores da nova tecnologia. “Agora é muito prático. Você olha. Você vê, está ali. Nem precisa virar página mais”, diz.

Os livros interativos também mexem com a imaginação dos escritores, que reconhecem as vantagens tecnológicas.

“Agora, a gente pode dispor para contar uma história, né, de muito mais ingrediente. A gente pode introduzir música, dando um clima mais romântico, mais de suspense, você pode descrever o personagem com a própria imagem”, diz o escritor Paulo Santoro.

Embora ainda para poucos, o acesso ao mundo digital deve aumentar em breve no Brasil. A venda de tablets, por exemplo, pode crescer neste segundo semestre com os incentivos fiscais do governo. O aparelho que custa entre R$1,3 mil e R$ 2,3 mil, vai ter uma redução no preço de 30%.

“Cada mês as revistas lançam conteúdos diferentes, as empresas, as editoras lançam livros diferentes com interações diferentes. Então, daqui para a frente, ainda tem muita novidade por vir”, diz Sanches.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2011/08/pequenas-empresas-investem-na-producao-de-conteudo-para-e-books.html

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ainda sobre material bibliográfico como bem permanente ou bem de consumo

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Complementando o post anterior.

O TRT do Espírito Santo classifica os livros como bens permanentes e os periódicos com bens de consumo. Antigamente cada unidade recebia um número de patrimônio, mas atualmente os livros recebem essa numeração por lotes. Ou seja, um conjunto de livros adquiridos recebem o mesmo número; normalmente um número por nota fiscal. O Serviço de Patrimônio endossado pelo Núcleo de Controle Interno do TRT propôs que se adotasse um número de patrimônio único para toda a coleção.

O número único facilita o controle patrimonial, mas dificulta o desenvolvimento do acervo, especialmente o descarte. Para descartar material danificado (inservível), desatualizado, sem interesse para a instituição, em número excessivo deve-se abrir processo administrativo, elaborar lista de descarte, oferecer o material para outros órgãos do judiciário e, caso não haja interesse, enviá-lo para reciclagem. O problema é que isso é excessivamente burocrático. E a cada conjunto de material retirado deve-se abater seu valor do montante do valor da coleção. O controle patrimonial de livros duplica processos que já são feitos na biblioteca. Esta controla rigorosamente a aquisição e o descarte através de registro em sistema. O mesmo trabalho que o setor de patrimônio faz ao classificar esse material como bem permanente.

Algumas dificuldades que devem ser dribladas ao utilizar a classificação “bem permanente” para os livros e outros materiais bibliográficos: uma delas já relatada no post anterior é a durabilidade deste material. Tanto a parte física quanto o conteúdo. Outra é a circulação. Livros em bibliotecas devem circular, ser lidos, manuseados, tomados de empréstimo. Aqui sugeriram que para cada livro retirado da biblioteca seja lavrado um termo de compromisso, assinado pelo usuário. Seguindo isso à risca não haverá mais empréstimos. Claro que pode-se criar alternativas para essa situação. Como os empréstimos são feitos para servidores e magistrados, os extravios, atrasos e danos aos materiais podem ser “cobrados” destes usuários, que ao se desligarem da instituição devem apresentar “Nada Consta” da Biblioteca ao setor de recursos humanos. Mas esse procedimento burocrático dificulta circulação do material, processo primordial e razão ser da biblioteca.

Sobre classificação de material bibliográfico como bem permanente ou bem de consumo:

MEDEIROS, Nilcéia Lage; MELO, Alfredo Alves de Oliveira; JEUNON, Ester Eliane. A classificação de acervos bibliográficos em bibliotecas de órgãos do judiciário: bens de consumo ou permanente. Perspectivas em ciência da informação, Belo Horizonte, v.12, n.2, p.130-157, maio/ago. 2007. Disponível em: <http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/287/87>. Acesso em:   05 ago. 2011.

Sobre depreciação do valor do livro:

SANTOS, Maria José Onofre et al. Depreciação de livros: procedimentos para determinação do custo. In: CONGRESSO USP CONTROLADORIA E CONTABILIDADE, 5., 2005, São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 2005. Disponível em: <http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos52005/513.pdf>. Acesso em: 05 ago. 2011.